Conservação Produtiva Gestão Sustentável da Propriedade Agrícola

Conservação Produtiva
Linguagem Ambiental (Parte I)

No sistema moderno de produção que esta sendo viabilizado com base na chamada Conservação Produtiva, foram incorporadas algumas terminologias que passam a fazer parte do dia de técnicos e produtores. Estas definições foram elencadas com a finalidade de assegurar uma mesma compreensão para a proposta que está sendo introduzida.

Agroecossistema cacaueiro – é o conjunto de sistemas agrícolas, agrossilviculturais (agroflorestais) e recursos naturais, acrescidos dos fragmentos de Mata Atlântica existentes na Região Cacaueira da Bahia, oriundos, protegidos, interferidos e conservados direta ou indiretamente pela cacauicultura, com predominância do sistema cabruca;

Área de Preservação Permanente – é uma área protegida por lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, as paisagens, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas. Como exemplos, são as áreas marginais dos corpos d’água – matas ciliares (rios, córregos, lagos etc.) e nascentes; áreas de topo de morros, encostas acentuadas, mangues, várzeas etc;

Árvore matriz – é aquela que apresenta características fenotípicas superiores a outras da mesma espécie, como: crescimento uniforme, boa produtividade, bom porte, sem bifurcações, alto vigor, boa produção e boa resistência a pragas;

Ativos ecossistémicos – o mesmo que produtos ambientais; benefícios diretos ou indiretos que a sociedade obtém dos ecossistemas, como a produção do alimento entre outros, carbono imobilizado, conservação da biodiversidade e água potável;

Bens públicos globais – consistem em benefícios naturais oferecidos pelos ecossistemas, os quais são essenciais ao bem-estar da humanidade, são exemplos: Remanescentes florestais, recursos hídricos, edáficos e biodiversidade;

Cacau cabruca – forma de cultivo de baixo impacto ambiental, baseada na substituição dos elementos do sub-bosque (estratos intermediários) da floresta tropical nativa por uma cultura de interesse econômico – o cacau; implantada sob a proteção de árvores remanescentes, estabelecendo relações equilibradas com os recursos naturais associados; concebida num contexto limitado de um espaço geográfico, pela relação direta homem-natureza, que propiciou as bases da formação histórica e cultural de um “território genuíno”, a Região Cacaueira da Bahia;

Conforto Ambiental – é a soma dos diferentes confortos (térmico, eólico, nutricional, etc.) proporcionados pelo conjunto de árvores distribuídas nas diferentes posições da estrutura vertical, o qual sofre influência da densidade, composição e riqueza arbórea; que correlacionado ao relevo, tipo de solo, hidrografia, exposição solar, interagem entre si, interferindo de forma positiva no agroecossistema, promovendo o equilíbrio ambiental, bem como o abrigo e proteção á flora e fauna silvestres e a conservação de recursos naturais;

Conservação produtiva – é a resultante da atividade técnica em um sistema de produção agrícola de baixo impacto ambiental, que possibilita a sustentação dos recursos naturais renováveis de forma produtiva, sem alterações substanciais na paisagem local e nas suas características básicas, garantidas o uso, a conservação e a produção de forma sustentável;

Desenvolvimento Sustentável – é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.

Diversidade arbórea em cacauais - é a relação entre o número de espécies arbóreas (riqueza) e a abundância de cada espécie (número de indivíduos) na área cultivada com cacaueiros.

Ecossistemas associados – são as formações vegetais, não florestais, que aparecem inclusas no Domínio Mata Atlântica. Incluem-se os manguezais, restingas, campos de altitude, brejo interiorano e encraves florestais do nordeste;

Enriquecimento ecológico em áreas de cacaueiros -  é a atividade técnica e cientificamente fundamentada, que visa recuperar a diversidade biológica em áreas de vegetação nativa ou no “agrossistema cacaueiro” por meio do repovoamento ou reintrodução de espécies nativas.

Espécie com função ecológica – são as espécies vulneráveis, ameaçadas de extinção, bem como aquelas que proporcionam abrigo e/ou alimento para a fauna silvestre. Exemplo de espécies desse grupo: pau-brasil, jacarandá-da-bahia, braúna, sebastião-de-arruda, gameleira, embaúba, ingá-cipó; cobi, curindiba, velame, fumo-bravo, quaresmeira;

Espécie com função econômica – são aquelas que são capazes de proporcionar renda. Exemplo de espécies apenas produtoras de madeira que pertencem a esse grupo e que serão utilizadas no plantio: louro-casca-preta, peroba, jatobá, sucupira, jacarandá-da-bahia, vinhático, pau-paraiba, itapicuru maçaranduba, parajú;

Ednaldo Ribeiro Bispo
Engenheiro Agrônomo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BISPO, E. R. et all.2011. Gestão Moderna da Cacauicultura. Ilhéus, CEPLAC/CENEX.
LOBÃO, Dan; SETENTA, Wallace; et all (2011) CNPC – Conservação Produtiva na Lavoura Cacaueira do Brasil.
MARCO REFERENCIAL – Conservação Produtiva da Região Cacaueira da Bahia.
2012 – CEPLAC/SUEBA – Apostila 27 páginas.
SETENTA, Wallace; LOBÃO, Dan – Bases Agroambientais para um Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira-Itabuna-Bahia 18 páginas.

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