Conservação Produtiva Gestão Sustentável da Propriedade Agrícola

Conservação Produtiva
O Cacau Na Rota Da Sustentabilidade

Ocupando a sexta posição no ranking e produzindo cerca de 190 mil toneladas por ano é um dos poucos com condições climáticas, disponibilidade de área, além de estrutura para abrigar todas as etapas da produção, do plantio ao produto final.

Ainda assim, o percentual produzido no País é muito pequeno diante das 4 milhões de toneladas da produção mundial, estimadas até o final do ano-safra 2010-2011, em setembro. Esse foi um dos pontos de consenso entre os palestrantes do “I Fórum Sustentabilidade na Cadeia do Cacau”, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora, cujo objetivo foi a troca de experiências sobre o tema e o estreitamento do diálogo entre os produtores e a indústria.
Participaram do debate Rodrigo Melo, gerente de originação e risco da Cargil, Adonias Castro, chefe da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Patrícia Moles, diretora geral da Delfi, João Batista Uchoa Pereira, da Fundação Viver Produzir e Preservar, Paulo Gonçalves, da Floresta do Rio Doce e Puratos e Eduardo Trevisan Gonçalves, engenheiro- agrônomo do Imaflora.
Mercado

Rodrigo Melo, da Cargil, observou a alta nos preços da commoditie no mercado internacional, registrada nos últimos três anos e as precárias condições que Costa do Marfim, o maior produtor, e demais países africanos (que somados respondem por 90% da produção mundial) teriam para atender a um aumento na demanda: técnicas muito rústicas, solos degradados em razão de práticas inapropriadas, árvores envelhecidas, disputas por propriedades, muitas vezes aliados a um cenário de guerra civil, instabilidade institucional e nenhuma infra-estrutura. Na mesma linha, Adonias Castro, da Ceplac, salientou as vantagens competitivas do Brasil, como a agricultura forte, a presença de portos e rodovias para o escoamento das amêndoas, extensa cobertura de energia elétrica e telefonia, além de um sistema bancário forte. Mas alertou para os desafios impostos pela apreciação do real frente ao dólar e a necessidade de prevenção à monília, que já ameaça a cultura em outros países, embora ainda não tenha chegado ao Brasil. O crescimento contínuo do consumo interno foi outro aspecto destacado por todos os palestrantes.
Sustentabilidade

Atualmente, quase todo o cacau cultivado no mundo é originário de pequenas propriedades familiares, que respondem pela subsistência de cerca de 14 milhões de pessoas. No Brasil, 80% da produção estão concentradas no sul da Bahia, onde convivem com a Mata Atlântica remanescente. Em segundo lugar, está o plantio na Amazônia, de onde vêm 17% da produção. “Cacau mais floresta, mais condições de trabalho” são aspectos em alta, segundo o pesquisador da Ceplac.
O foco nos aspectos sociais e ambientais, em especial em mecanismos que comprovem a origem responsável dos produtos, também foi abordada por Patrícia Moles, diretora geral da Delfi, indústria processadora de amêndoas. Ela assinala os compromissos firmados nesse sentido por grandes multinacionais, como Nestlé, Mars, Kraft e Hersheys. Essas empresas assumiram compromissos públicos de aumentar gradativamente a quantidade de matéria-prima com certificação, seja socioambiental ou orgânica, até que, em prazos determinados,atinjam os cem por cento.
Segundo Rodrigo Melo, até 2020, 38% da produção mundial de cacau será baseada em práticas responsáveis.
Experiências

Nesse sentido, o Pará, estado que vem despontando como o de maior potencial de crescimento para o cultivo do cacau, tem registrado experiências sustentáveis bem sucedidas. João Batista Uchoa Pereira, secretário-executivo da Fundação Viver, Produzir e Preservar coordena o trabalho de seis cooperativas localizadas em diferentes municípios, que atuam com base nos princípios da certificação orgânica e do comércio justo. Iniciada em 2005, a experiência reúne 150 famílias e fornece a matéria- prima para uma indústria de cosméticos, além de exportar grande parte para a Áustria, onde será utilizada na fabricação do chocolate Labooko. Em São Félix do Xingu, no mesmo estado, o Imaflora desenvolve um trabalho de capacitação técnica de pequenos produtores. Segundo Eduardo Trevisan, engenheiro agrônomo, que coordena esse projeto, além da geração de renda, o cultivo do cacau na Amazônia pode ser uma alternativa para recuperação de áreas degradadas, e na Mata Atlântica um forte aliado na conservação da biodiversidade.

Fonte: Ascom Imaflora

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